Business Model You: O que é isso?

19.02.2018
Crie seu futuro – 728 x 90

“Empregos dos sonhos são mais frequentemente criados do que encontrados, sendo assim são raramente atingidos através de buscas convencionais. Sua criação exige grande autoconhecimento.”

Tim Clark, Business Model You.

Com a citação acima, eu começo lhe perguntando: “emprego dos sonhos”… quem não quer?

Todo mundo quer ganhar bem e ser feliz fazendo aquilo que ama, sabendo que ao acordar cedo não será um martírio ir “trabalhar”, pois sua carreira também será sua paixão para motivá-lo todos os dias.

Mas se permita responder a essas questões agora:

  • Você realmente sabe aquilo que amaria fazer ou trabalhar?
  • Se souber, você tem idéia de como mudar o que você faz hoje (ou o seu estado atual) para o que você gostaria de fazer?
  • E se você sabe como, tem um planejamento profundo para realizá-lo?

Pois é, nossas carreiras são como empresas que precisam de um planejamento cuidadoso. Muitas vezes ignoramos fazer uma reflexão mais profunda sobre aquilo que realmente desejamos, os talentos que possuímos e as habilidades que precisamos para ver se tudo se conecta e só então chegar onde queremos.

É pensando nisso que neste artigo vou lhe mostrar o Business Model You (derivado do Business Model Canvas), uma poderosa ferramenta autoaplicável de reflexão que vai lhe ajudar a perceber quem é e o motivo por trás de suas ações. Se você for um coach, o Business Model You é maravilhoso se aplicado com os clientes…

Business Model Canvas: Modelo de Negócios.

Primeiro, o que seria BMC: “modelo de negócios”? Para resumir, um “modelo de negócios” nada mais é do que uma representação de como uma organização gera (ou planeja gerar) valor, ou seja, transformar seu trabalho em dinheiro.

“Definimos o modelo de negócios como a lógica pela qual uma empresa sustenta a si mesma financeiramente. Em linhas gerais, é a lógica pela qual uma empresa ganha o sustento”.

Tim Clark, Business Model You.

Sabendo disso, existem diversas teorizações e estudos ao longo dos anos sobre as melhores formas de planejar um modelo “ideal” de negócios para empresas. Foi quando em 2004, Alexander Osterwalder, consultor e estudioso de modelos de negócios, publicou seu trabalho de doutorado “Business Model Ontology”.

Esse trabalho gerou frutos e, entre 2009 e 2010, publicou com Yves Pigneur (seu supervisor de doutorado) o Business Model Generation, tornando-se um best seller em design e inovação em modelos de negócios, vendendo mais de 1 milhão de cópias em 30 línguas.

É a partir daí que ficou conhecido o Business Model Canvas (BMC), criado com a participação de 470 coautores de 45 países, dando vida ao poderoso “quadro de modelo de negócios” mais famoso hoje no mundo.

Muitos empresas atualmente usam o BMC ou fornecem essa ferramenta, como o SEBRAE. Ela é principalmente usada por empresas iniciantes, no início do planejamento do negócio, mas é indicada para organizações de todos os portes.

Sua característica marcante é a simplicidade e seu aspecto visual: fica fácil para os empreendedores definirem e relacionarem de forma sistêmica as informações no modelo de negócios. O modelo gerado dá a visualização de como a empresa irá promover seus valores, relacionar-se com seus clientes, aproveitar oportunidades e usar de forma eficiente seus recursos.

O BMC pode ser visto na figura acima. É exatamente isso, um quadro (um mapa pré-formatado) composto por 9 “blocos” onde os planejadores irão descrever:

  • Parcerias Chave;
  • Atividades Chave;
  • Recursos Chave;
  • Proposta de valor;
  • Relações com clientes;
  • Canais;
  • Segmentos de mercado;
  • Estrutura de custos;
  • Fontes de renda.

Tendo tudo isso preenchido e detalhado, ou seja, tendo o seu modelo de negócios organizado e estruturado, é meio caminho andado para fazer sua empresa dar certo e gerar valor.

Não entrarei em mais detalhes sobre o BMC pois além de ser direcionado às empresas (não sendo o foco deste artigo), o importante era lhe mostrar a autoridade desse modelo. (Caso queira saber mais sobre a parte empresarial do BMC, pode entrar em contato comigo que terei o maior prazer em oferecer uma consulta. [o “entrar em contato” seria um link para contato contigo].)

Você deve se perguntar: “Ok Ingrid, mas afinal, como o BMC pode me ajudar a refletir sobre mim mesmo e minha carreira? Ou a dos meus clientes?” Resposta abaixo…

Business Model You: Reinventando sua carreira em uma página.

Já imaginou sua carreira como um negócio? É isso que o autor Tim Clark, com a ajuda de mais de 300 coaches, consultores e empreendedores, imaginaram ao se depararem com o BMC.

Todos juntos ajudaram Tim Clark a testar e dar forma ao livro Business Model You (BMY), que é um “modelo de negócios pessoal” que usa como base o BMC, gerando valor agregado para a sua carreira. O livro é maravilhoso e eu o aconselho para qualquer pessoa que queira dar uma repaginada na sua carreira.

Com incrível simplicidade, Tim Clark e os demais nos ajudam a partir da metodologia Business Model You olhar para nossas carreiras abordando questões que parecem complexas, se considerarmos nossos talentos e habilidades, nossos valores e propósitos, como nosso próprio perfil (que muitas vezes não levamos em conta).

De forma prática, o livro dispõe de exemplos, nos inspirando e nos ajudando na estruturação do nosso modelo pessoal, que é feito através do preenchimento de nove “quadrantes”, ou blocos. O próprio livro fala do uso dos adesivos post-it, já que ao preencher os quadrantes, você vai perceber que uma resposta vai acabar interferindo em outro quadrante, fazendo-o trocá-los algumas vezes.

Isso não é para ser visto como algo chato, na verdade isso traz uma reflexão poderosa pois nos ajuda a olhar para dentro de nós mesmos, prestando atenção aos nossos talentos e motivações, nos fazendo pensar sobre o que temos em termos de habilidades e como podemos gerar valor com o que possuímos. Valor para a gente e para os outros (como um negócio). Veja-o como ele é:

Aqui nós vemos os nove blocos que devemos preencher e refletir do Business Model You, que são:

1- Parceiros Chave (Quem te ajuda?)

 São as pessoas que o apoiam como profissional e contribuem para o seu crescimento de maneira positiva. Podem ser mentores e conselheiros, colegas da sua network, até família e amigos, contanto que tragam oportunidades ou recursos para seu crescimento e atuação.

2- Atividade Chave (O que você faz?):

São nada mais do que as atividades físicas ou mentais realizadas para os clientes. Quais são as tarefas que você faz normalmente no trabalho? Aqui você não deve pensar em termos de valor do resultado final dessas tarefas. Está ligado de certa forma a “quem você é”, abaixo.

3- Recursos Chave (Quem você é? / O que você tem?):

Quem você é” abrange interesses, talentos, habilidades e sua personalidade (claro que VOCÊ é muito mais do que isso, mas focamos em carreira aqui).

Já “O que você tem” são seus ativos, que vão desde sua experiência e contatos até coisas mais tangíveis, como ferramentas, aparelhos, coisas que o ajudam ou pode investir na sua carreira.

4- Proposta de Valor (Como você ajuda?):

Este conceito é muito importante. Você pode começar se perguntando “por que o cliente me contrata?. Qual o tipo de benefício os clientes ganham com o resultado do que eu faço?”. Aqui sim você pensa no valor do resultado do que você realiza no “O que você faz”.

Ex: Eu sou coach de carreira e psicóloga (resumindo muito, é o “que eu faço”). “Como eu ajudo”: trazendo realização profissional, felicidade na vida e na carreira, resoluções para dores internas, etc.

Saber relacionar bem o que você faz com o valor que isso traz aos clientes, é o grande passo para seu modelo de negócios pessoal.

5- Relacionamento com os Clientes (Como você interage?):

Como é feita a interação com os seus clientes? É de forma pessoal, face a face? Por e-mail, internet? São muitas reuniões “de escritório”? Nesta comunicação, você foca mais na aquisição (conquista) ou na retenção (satisfação)?

6- Canais de Comunicação (Como eles conhecem você e como você entrega?):

Como os clientes potenciais ficam sabendo da sua existência e do valor que você entrega? Como eles podem adquirir os seus produtos ou serviços, a solução para os problemas deles? Como você verifica a satisfação dos clientes?

7- Clientes (Quem você ajuda?):

Aqui você deve gastar um tempo com carinho e calma para responder a si mesmo: “Quais são as pessoas, ou grupos de pessoas (comunidades) que dependem do resultado ou ajuda do meu trabalho?”. Eles são seus clientes.

Tenha em mente que clientes em potencial são aqueles dispostos a pagar pelo que você entrega. Você pode ser um profissional liberal, como um médico, estando claro que seus clientes são seus pacientes. Mas se você trabalhar para uma organização, seu chefe, seu supervisor, também devem ser vistos como seus “clientes”, pois não deixam de ser responsáveis por sua remuneração.

Pensar em cliente aqui é pensar em certa forma a quem você se reporta. Você “serve” a quem? Quem se beneficia do seu trabalho? Colegas de trabalho, por exemplo, podem não pagar seu salário, mas se gostam da forma como você executa suas tarefas e são beneficiados por elas indiretamente, chances são que o futuro do seu “modelo de negócios pessoal” seja muito mais promissor.

8- Custos (O que você dá?):

Custos são os “gastos” que você tem com o seu trabalho, que são tangíveis e intangíveis. Como exemplos tangíveis, podemos citar:

  • Necessidade de veículo próprio ou deslocamento;
  • Taxas de treinamentos ou assinaturas de serviços;
  • Ferramentas e vestuário especial, se for o caso;
  • Despesas com telefone, viagens, etc.

Intangíveis:

  • O estresse de estar longe da família ou pessoas que gosta;
  • Insatisfação por trabalhar com certos parceiros;
  • Dor de cabeça com fornecedores, etc.

O que lhe desgastar financeiramente, como em tempo e energia, deve ser pensado. Por isso é “o que você dá” de si para o seu negócio pessoal dar certo.

9- Receitas e Benefícios (O que você ganha?):

Como custos, temos os benefícios tangíveis e intangíveis. Tudo o que você ganha deve ser levado em conta, não pense apenas em valor financeiro.

Como tangíveis e mais fáceis de lembrar:

  • Salário;
  • Plano de saúde;
  • Pagamentos de cursos ou treinos;
  • Auxílios diversos, etc.

Nos intangíveis, apesar de comum para muitos, é também um pouco pessoal. Vejamos alguns:

  • Status;
  • Reconhecimento social;
  • Reconhecimento profissional;
  • Satisfação pessoal;
  • Contribuição com a sociedade, etc.

O livro todo é um convite à reflexão, nos fornecendo ferramentas para que olhemos para dentro de nós, revisitando nossas vidas, levando em conta nossas aspirações e as direções que decidimos tomar ao longo dos anos. Ele nos fornece uma forma estruturada de pensar sobre nossas carreiras, nos ajudando a refletir, revisar e agir para que as coisas aconteçam.

Conclusão:

Por muitas vezes, no corre e corre das nossas vidas, nos encontramos com dúvidas sobre o próximo passo a ser dado, tanto na parte de relacionamentos quanto na vida profissional. Nessas horas, um acompanhamento profissional de um coach é o melhor que alguém poderia ter.

Não podendo contar com um coach, o Business Model You é um guia maravilhoso e surpreendente. Nele a pessoa vai encontrar ajuda para formular soluções aos vários dilemas que aparecem no decorrer da vida profissional. Essa ajuda é dada de forma prática, simples e de forma estruturada, trazendo reflexão sobre nós mesmos e nossas ambições, nos ajudando a nos encontrar.

Se você é coach, melhor ainda. O Business Model You irá ajudá-lo imensamente com seu cliente, fazendo emergir nele respostas através do planejamento e do autoconhecimento necessário para atingir as mudanças que ele tanto almeja.

Receba novidades por e-mail CadastroGratuito

Receba em Seu E-mail o Mais Atualizado Conteúdo Sobre Coaching e Desenvolvimento Pessoal do Brasil

Comentários:

  1. sensacional

Deixe seu Comentário:

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *