Desconforto x Metas e Objetivos

11.08.2017

Na maioria dos eventos que participo, os palestrantes iniciam as palestras querendo saber de onde as pessoas vieram: do norte, do sul, centro oeste, nordeste, sudeste – alguns palestrantes até especificam estados, e perguntam também se há alguém de fora do país. Com estas, normalmente, conversam individualmente. E uma pergunta que sempre é feita às pessoas de fora do Brasil é quantas horas elas gastaram para estarem no evento. Algumas respondem seis horas, outras oito…

Interessante como as pessoas se dedicam para buscar o aperfeiçoamento contínuo, independentemente se estão do outro lado do planeta e têm que cruzar o oceano para isso. Será que há conforto nisso? Creio que não, pelo menos para a maioria. É fácil dizer “você está exatamente onde deveria estar”. E quem realmente está vivendo este desconforto, será que concorda?

Fiz esse relato porque tem uma coisa que me incomoda muito…

Algumas pessoas viajam milhares de quilômetros para estarem no mesmo evento que eu e eu, que viajo apenas (comparado com muitas pessoas) 800 km para estar em São Paulo, gasto aproximadamente 16 horas entre carro, moto, ônibus, metrô, ônibus novamente, táxi…enfim, chego no evento.

Sei que recebo o fardo que posso carregar, mas 16h para percorrer 800 km é muito desgastante.

Ao sair em uma dessas aventuras, precisei chamar um amigo (Paulo) para ir comigo até a rodoviária na minha moto. Na rodoviária em diante eu seguiria de ônibus e o Paulo voltaria na minha moto.

HAVIA UM DETALHE: eu não avisei ao Paulo que havia uma mala (das grandes) comigo, já que eu ficaria fora por uns 10 dias.

Assim que meu amigo viu onde se meteu, fechou a cara, mas sabia que não tinha volta e teria que ir comigo. Para “contornar” a situação, eu dei a ele o poder de escolha e perguntei: “Paulo, você que ir pilotando ou vai na garupa?” Claro que eu já havia decidido, pois o amigo é meu, a viagem é minha, a mochila e a moto também me pertencem, ou seja, ele iria na garupa de toda forma.

Se você, leitor, tem ou anda de moto entenderá melhor a cena, mas se você nunca andou de moto, imagine uma moto pequena (150 cc), duas pessoas de 1,80 m de altura e 80 kg cada, mais uma mala no meio das duas pessoas (eu e meu amigo). Como não há espaço suficiente para isso no banco da moto, eu teria que pilotar sentado no tanque da moto durante o percurso. O incomodo aumentou e me fez pensar que pilotando estava tão desconfortável pra mim, na garupa – COM TODA CERTEZA, está mais confortável e meu amigo nem imagina isso, pois ele não sabe o perrengue que estou passando. Então o perguntei: “Agora que estamos na metade do destino, você quer pilotar?” E rapidamente ele respondeu: “NÃO!!!!!!!!”. Rapidamente chegamos na rodoviária – não tão rápido, mas chegamos.

Os dias se passaram e a data de retornar para minha cidade chegou e mais uma vez…ônibus, carro, trem, táxi, outro ônibus e moto. Liguei para o mesmo amigo me buscar na rodoviária, pois era ele quem estava com minha moto e isso foi minuciosamente calculado.

Assim que ele chegou na rodoviária, eu mal o cumprimentei e já fui montando na garupa da moto (e a mochila no meio, ainda mais pesada e volumosa), e o Paulo me perguntou: “Vai pilotando?” Eu rapidamente respondi: “NÃO!!!!” ou melhor, respondi educadamente: “Você mesmo pode ir pilotando.” Pois eu já sabia o quão desconfortável era pilotar naquela situação.

Para minha surpresa, ao chegarmos na metade do percurso, eu já estava exausto e ia pedir para parar a moto porque eu iria pilotar até chegarmos em casa. Realmente o desconforto era gigantesco. Mas me lembrei que quando eu estava pilotando, também havia grande desconforto. Nesse momento busquei identificar o que era mais desconfortável naquela situação: pilotar ou ficar na garupa? Eu percebi, então, que não chegaria a conclusão alguma naquele momento e decidi que o Paulo é quem decidiria e o perguntei: “Paulo, quer continuar pilotando (sentado no tanque da moto) ou quer vir na garupa? E ele disse que estava tudo bem pra ele ir pilotando.

Desconforto x Metas e Objetivos

Ao chegar em casa, comecei a pensar sobre o ocorrido. Tanto para ir quanto para vir, eu poderia escolher entre duas opções, ser o piloto ou ser  o garupa. E eu fiz as duas coisas e todas foram altamente desconfortáveis e mesmo assim eu me sentia bem porque eu fiz o que deveria ter feito.

Com o desconforto dessa jornada, cheguei á seguinte conclusão: quando traçamos nossa rota e decidimos chegar ao destino estabelecido, independentemente do papel que exercemos ou posição hierárquica que ocupamos, haverá desconforto, e este será superado com esforço desde que saibamos onde chegar. Eu sei que estou no caminho certo e serei recompensado. Ao saber que está no caminho certo, o desconforto será superado e haverá comemoração na chegada do destino traçado.

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