Desemprego por Desalento: O Mal do Mercado de Trabalho

11.04.2017

Você está se sentindo infeliz e paralisado na vida ou no trabalho por falta de oportunidades? Você acredita que não há outra saída?

Se a resposta é positiva, você pode estar sofrendo de desalento ou de desamparo aprendido. Você conhece ou já ouviu sobre isso?

Nos últimos meses, tenho visto e ouvido alguns jornais tratando do assunto do desalento dos brasileiros. O tema é abordado não só em relação ao emprego, mas também com relação à economia e às perspectivas para 2017, em razão da crise que estamos enfrentando no País.

Quando assisti a uma reportagem sobre o assunto explicando o que significa a expressão “desemprego por desalento” pela primeira vez, logo me lembrei do fenômeno psicológico denominado “desamparo aprendido”. E, também, associei os fenômenos às pessoas que, assim como já aconteceu comigo, podem estar sofrendo em um emprego ou em uma profissão que não estão satisfeitos ou não gostam, por desalento.

O que é desemprego por desalento?

Mas, afinal, o que é “desemprego por desalento”? Sabe aquela impressão de que não há oportunidades por causa da crise ou da dificuldade do mercado de trabalho, gerando desmotivação para buscar novas alternativas?

Pois é, “desemprego por desalento” é um conceito usado na metodologia da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED). Realizada no Brasil, a pesquisa é fruto do convênio entre a Fundação SEADE e o DIEESE. A expressão é utilizada para indicar as pessoas que não possuem trabalho e nem procuraram novas oportunidades por desestímulos do mercado de trabalho ou por circunstâncias não planejadas. Trata-se de um grupo de pessoas desempregadas, que não encontraram trabalho em razão de não terem saído para procurar porque acreditam não existir oportunidades.

Segundo o UOL notícias, em 20/12/2016, o fenômeno ajudou a reduzir a taxa de participação dos brasileiros no mercado de trabalho. Segundo a reportagem, “A taxa de participação, que indica o porcentual de pessoas em idade de trabalhar que está de fato no mercado de trabalho, caiu de 61,6% no segundo trimestre para 61,2% no terceiro trimestre, indicando um aumento do desalento. Se a taxa de participação tivesse se mantido no mesmo nível de um ano antes, de 61,4% no terceiro trimestre de 2015, a taxa de desemprego seria de 12,4%, estimaram os pesquisadores Sandro Sacchet de Carvalho e José Ronaldo de Castro Souza Júnior, na Carta de Conjuntura do Ipea”.

Desemprego por desalento e o desamparo aprendido

E, afinal, qual é a associação do desalento com o desamparo aprendido? Desamparo aprendido é um fenômeno descoberto em uma pesquisa científica. Ele consiste em um sentimento de impotência e incapacidade de enfrentar situações, levando a pessoa a se comportar de forma passiva, sem nenhuma possibilidade de ação mesmo que esteja diante de oportunidades de mudança.

As pessoas se sentem perdidas, arrasadas, impotentes e incapazes. Elas desistem de tentar se recuperar depois que passam por algumas situações difíceis na vida. Tudo por acreditarem que não é possível.

A teoria foi desenvolvida pelo professor e psicólogo americano Martin Seligman, baseada em estudos realizados na década de 70. Na época, foram feitos experimentos com diferentes grupos de cães que eram submetidos a choques. Um grupo de cães que recebia choques conseguia parar o estímulo, encostando o focinho em um painel. Outro grupo era submetido ao choque e não tinha a possibilidade de pará-lo.  Posteriormente, os cães foram submetidos novamente aos choques, podendo escapar se fossem a um compartimento anexo. Nesta fase, foram observados resultados diversos por grupo. O primeiro grupo de cães, que aprendeu na primeira fase uma forma de parar os choques, escapou da dor e fugiu para o novo compartimento. O segundo grupo teve dificuldades para aprender que poderia escapar da dor, pois havia aprendido, na primeira fase, que não poderia controlar a situação.

Segundo as pesquisas, foi gerado no segundo grupo um sentimento de impotência ou desamparo aprendido. E, então, a conclusão foi de que isso também pode acontecer com seres humanos que passaram situações dolorosas e incontroláveis e se sentiram fortemente frustrados.

Ou seja, tanto no “desemprego por desalento” quanto no “desamparo aprendido”, as pessoas acreditam que não podem conquistar um emprego ou vencer alguma situação na vida. Elas deixam de acreditar que podem mudar e não agem em busca de novas possibilidades.

Por isso, também associei os fenômenos às pessoas que estão empregadas, porém, infelizes. Elas não vislumbram qualquer mudança por acreditarem que não é possível conseguir novas oportunidades.

É como se não houvesse saída, as chances não parecem existir e não conseguimos olhar mais atentamente ao redor. A sensação é de medo, vazio, insegurança, impotência e falta de esperança. É como se tudo fosse definitivo. E, quanto mais pensamos que é assim, mais sentimos uma força nos puxando para baixo. Mais as coisas parecem não dar certo.

Tome uma atitude: Saia da inércia

Nesse desalento, identifiquei algumas crenças, ou pensamentos, como: “a vida é assim”; “ a vida é dura mesmo”; “não se larga uma profissão”; “emprego público não se abandona”; “ruim com ele, pior sem ele”; “as coisas estão difíceis demais e o jeito é continuar mais ou menos até uma oportunidade cair do céu”; “terei a oportunidade quando me aposentar”; “tá ruim, mas tá bom”; “não existe mercado”; “a concorrência é grande”; “tenho que me sustentar”; “a crise” e assim por diante.

Você já pensou ou se sentiu assim? Isso pode acontecer com todos nós em algum momento. E, se estamos paralisados, sem buscar alternativas e sentindo que não há outra saída ou não há oportunidades porque as coisas estão muito difíceis, é hora de rever se realmente é verdade que não é possível.

Então, reflita. Você está deixando de buscar seus sonhos por desalento? Por acreditar que não há oportunidades?

Procure pensar de forma diferente, verificando se realmente é verdade. Tomar consciência de que os nossos pensamentos podem estar equivocados e nos impedem de agir por desalento ou descrença de que as coisas podem melhorar é o primeiro passo para alcançar o que desejamos. Depois, é preciso investigar os pensamentos e as situações à nossa volta, mudar o mindset, que é a forma de pensar, exercitar a gratidão e parar de reclamar, agir e planejar.

Lembre-se de procurar enxergar as situações sob outras perspectivas. Essa é uma forma poderosa de superar os desafios.

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Comentários:

  1. Gostei muito , me deu uma perspectiva nova de buscar oportunidade e de me reciclar na maneira de pensar e acreditar na mudança , mesmo em situação difícil.

  2. Muito bom. Animador pois nos faz enchergar que somos donos da nossa vida e nao somos vitima do destino. Temos que pensar em “nao seguir a boiada” e acreditar nas nossas ideias, mesmo que elas pareçam absurdas.

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