Intercâmbio: Como Ajudar os Filhos que Estão Partindo?

01.09.2017

Seu filho adolescente está indo morar em outro país e você se sente perdido. Ele passa de momentos de entusiasmo para momentos de puro medo, e você fica sem saber como ajudá-lo. O que dizer para tranquilizá-lo se você também não tem a menor ideia de como o intercâmbio será?

A verdade é que, mesmo antes do embarque, o intercâmbio é uma montanha russa de emoções. E não só para os jovens que estão de partida para outro país, para os pais que ficam também. É uma situação completamente nova e que traz muitos aprendizados para os dois lados. A grande diferença é: os pais costumam reprimir seus sentimentos para se mostrarem estáveis e fortes aos filhos, que precisam desse apoio emocional.

Essa costuma ser uma jornada solitária para os pais. Poucos têm amigos que estão passando ou já passaram pelo mesmo que eles, com quem poderiam compartilhar o que estão sentindo. E assim os medos, as dúvidas, o sentimento de não poder proteger o filho, a angústia e a saudade vão sendo reprimidas.

E você sabe o que acontece com sentimentos reprimidos? Eles explodem e vêm à tona quando você menos espera: uma reação exagerada, inadequada e que pode piorar a situação.

Cuide dos seus sentimentos! Busque alguém com quem você possa conversar sobre o assunto e tirar dúvidas (se suas dúvidas não forem relacionadas ao funcionamento do programa de intercâmbio, a pessoa que te vendeu o programa provavelmente não é a pessoa certa para conversar).

Problemas vão acontecer durante o intercâmbio do seu filho. Isso é um fato! Agora, é preciso saber em qual tipo de problema você precisa ajudá-lo e em qual ele terá de se virar sozinho. E para fazer isso é importante estar bem, sem sentimentos reprimidos que vão te boicotar.

No início do intercâmbio, problemas de adaptação são esperados: não gosto da comida, a família é estranha, eu fico com dor de cabeça quando tento entendê-los, perdi o ônibus para a escola, as pessoas não são carinhosas comigo, eles reclamaram que eu tomei dois banhos ontem etc.

Esses são exemplos de comentários que seu filho pode fazer e que não significam necessariamente que algo de errado esteja acontecendo. É apenas seu filho entrando em contato com uma cultura, costumes, idioma e comida diferentes. É normal ele estranhar no começo e não tem nada que você possa fazer. Apenas ouça e acompanhe. Aposto que daqui a algumas semanas ele já vai ter entendido melhor como as coisas funcionam e a família “estranha” não será mais estranha.

Existem outras questões que talvez seu filho te peça ajuda, pois estava acostumado com você resolvendo esse tipo de problema no Brasil: questões burocráticas, solicitações à escola, seguro médico etc. E talvez realmente pareça mais fácil para um adulto experiente lidar com essas questões. Mas, eu posso garantir que na maioria dos casos não é.

E vamos ser sinceros, deixar o seu filho resolver essas questões sozinho é exatamente o tipo de amadurecimento que a experiência do intercâmbio traz e que fará muito bem a ele agora e para sempre.

Minha recomendação é que, caso ele te peça ajuda com algo assim, você oriente, mas não resolva para ele. Talvez ele queira trocar a grade de aulas dele na escola e não tenha a menor ideia de por onde começar. Você pode orientá-lo a ir perguntar na secretaria ou a algum colega do colégio como fazer essa solicitação. Mas nunca, jamais, entre você em contato com a escola. Você provavelmente não terá todas as informações que precisa para resolver e estará tirando uma excelente oportunidade de crescimento do seu filho.

Por fim, sim, às vezes existem problemas mais sérios em que a intervenção dos pais seja necessária. Desde já te acalmo: é raro, acontece na minoria dos intercâmbios.

Como reconhecer um problema que você deve interferir: quando seu filho já tentou resolver sozinho, já falou com as pessoas de lá que poderiam ajudá-lo, já falou com o coordenador/orientador/conselheiro e o problema persiste. Um problema que chegue nesse nível é extremamente raro. Menos raro são pais que, desde o Brasil, tentam interferir e transformam o problema num problemão. Fique ligado!

A Volta

E, finalmente, se prepare para que o retorno não seja o que você está esperando. Na cabeça dos pais o retorno é momento de pura alegria. Lembre-se que, para seu filho, o retorno marca o fim de uma experiência inesquecível e transformadora da vida dele. Provavelmente a experiência mais intensa que ele já viveu até hoje. É possível que ele não esteja tão animado assim com o retorno.

É claro que ele está com saudade de você e de muita coisa no Brasil, mas ele também está lidando com a saudade de tudo que ele aprendeu a gostar no intercâmbio e que não sabe se um dia voltará a ver. Seja paciente.

Resumindo: busque apoio emocional e seja mais observador da experiência do que defensor do seu filho. Você vai se surpreender com o que ele é capaz de fazer sozinho!

Boa jornada!

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Comentários:

  1. Sobre a volta. CRIS, seria legal vc falar mais um pouco em outro post. Tenho percebido que a volta tem sido.mais traumatica que a ida para ambos os lados.
    Bj e parabens pelas materias. Tenho enviado e divulgado seu trabalho.

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