Resiliência: Como Melhorar a Sua e do Seu Cliente

29.08.2017

Hoje, qualquer profissional que lida com carreiras, tanto o de Recursos Humanos ao Coach de Carreira, sabe que o país passa por tempos difíceis e o mercado pede rápida adaptação, tanto das empresas como dos profissionais para suportar todo o tipo de acontecimento.

O Brasil, em poucos anos, já passou por toda sorte de intempéries, de crises econômicas à políticas, forçando por muitas vezes a reestruturação de empresas e o remanejamento de capital humano.

Devido a tudo isso, um dos atributos mais importantes sempre em vista dos profissionais de gestão de pessoas, é a resiliência.

O que é Resiliência?

Inicialmente, o termo foi muito empregado nos anos 60 e 70, para representar a “propriedade que alguns corpos apresentam de retomar à forma original após terem sido submetidos a uma deformação elástica”. Como exemplo temos a mola, que volta a sua forma anterior ao parar de sofrer pressão.

Após a década de 80, o termo começou a ser usado pela psicologia para descrever a capacidade de uma pessoa de se recuperar de problemas e adversidades, o quão facilmente ela pode se adaptar e sobreviver às mudanças sem se “deformar”, ou seja, não ser afetado de forma permanente durante as fases ruins.

A resiliência é a capacidade do indivíduo de lidar com problemas, adaptar-se às mudanças, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas – choque, estresse etc. – sem entrar em surto psicológico, emocional ou físico, por encontrar soluções estratégicas para enfrentar e superar as adversidades. Nas organizações, a resiliência se trata de uma tomada de decisão quando alguém se depara com um contexto entre a tensão do ambiente e a vontade de vencer. Essas decisões propiciam forças estratégicas na pessoa para enfrentar a adversidade.

A resiliência é importante para todo ser humano e é sobre ela que quero falar mais com você, não importa sua profissão. Se for coach, com certeza você saberá as ferramentas mais adequadas para ajudar o seu cliente a desenvolver a resiliência após chegar ao final.

Resiliência: Seus Fatores e Nossas Crenças

Além da vertente da “teoria do estresse”, onde liga-se a resiliência à capacidade de vencer e superar traumas, outra vertente muito importante, que vou explicar aqui, é a que usa a terapia cognitiva e a psicologia positiva.

Diante dessa teoria, nós temos a resiliência como a habilidade de uma pessoa de dar significados (como também ressignificar) suas crenças.

Todo coach sabe que nossas crenças são adquiridas e formadas ao longo dos anos, em especial até os 12 anos, quando estamos em processo de aprendizado e de construção do que somos. Elas se aglutinam à medida que vamos conhecendo e experimentando os momentos da vida com aqueles que estão à nossa volta.

Portanto, é lógico afirmar que nossas crenças vão sendo corroboradas e também continuam a ser amontoadas com os resultados dos nossos desafios na vida profissional e pessoal. Desafios esses que nos dão maturidade e aprendizado para lidar com os momentos de adversidade, por isso, às vezes uma pessoa pode ser resiliente numa determinada área (como profissional), mas imatura em outra área (como relacionamentos).

Acontece que nesses resultados também há situações pontuais, que foram lapidando suas crenças negativamente (o que muitos dizem ser traumas) e estes, às vezes, nos quebram, ou impedem nosso caminho, tornando-se difíceis de serem superados, mesmo que a solução do problema esteja logo à frente; ficamos vendados.

Como as crenças limitantes afetam sua Resiliência?

Se com o tempo você criou crenças negativas que chamamos de crenças limitantes, muitas vezes você não irá nem perceber. Isso acontece com todos nós e com frequência, pois temos nossas crenças como verdades, pois são através desses “óculos”  que vemos o mundo, que julgamos os fatos e as pessoas e nem percebemos, pois atribuímos a elas significados concretos, rígidos, sólidos demais para acreditar que não existem.

Como isso afeta nossa resiliência? Pois bem, seguindo a teoria da terapia cognitiva, a resiliência foi mapeada em 6 grandes áreas, que no fundo são os fatores inerentes da resiliência e estão vinculados a superação estratégica do estresse. São eles:

1- Inteligência emocional:

Capacidade de ler, identificar e organizar as reações percebidas no corpo relacionadas às nossas emoções. É saber lidar, administrar e controlar as reações que surgem quando a tensão ou o estresse se tornam elevados.  É a condição de serenidade diante da adversidade.

2- Otimismo (para com a vida)

Capacidade de enxergar a vida com esperança, alegria e sonhos. É a maturidade de entender que somos responsáveis e protagonistas das nossas vidas.

A melhor forma de cultivar esse olhar para com a vida é a criatividade, encher a mente de tudo que é bom, produtivo e que tenha valor. É como as curtidas do Facebook, o que mais curtirmos mais aparece, então curta o melhor da vida, pois mais oportunidades e beleza aparecerão na timeline da vida.

3- Análise do ambiente

É estarmos abertos para ver, mudando de “óculos” pelo qual já estamos habituados a ver o mundo e assim conseguir se abrir para ao novo.

É a capacidade de perceber e identificar precisamente as causas, as relações e as implicações dos problemas, dos conflitos e das adversidades presentes no ambiente. É se dar conta e estar atento às situações e circunstâncias presentes na experiência do estresse.

No filme Sociedade dos Poetas Mortos (do saudoso Robin Williams), o professor faz esse convite a turma (lá spoiler rsrs). Essa análise nada mais é do que a ação que os alunos fazem no fim, que é o subir em cima da carteira e aprender a ver a vida de outro ângulo, o melhor ângulo.

4- Empatia

É uma ponte que liga o seu mundo ao meu, sendo a habilidade de se conectar com histórias e pessoas. É poder compreender o outro com o emitir de mensagens (falas, olhares, ações) que tragam aproximação e reciprocidade entre as pessoas.

Nossas relações de amizade nascem da empatia. Tem uma clássica frase de C. S. Lewis que exemplifica bem isso: “A amizade nasce no momento em que uma pessoa diz para a outra: O quê?! Você também! Pensei que eu era o único!”.

5- Autoeficácia

É o acreditar em si mesmo, a convicção de que você É capaz e eficaz para realizar as ações propostas.

6- Inteligência relacional

É um conceito recente e oriundo de Daniel Goleman (o mesmo que criou o inteligência emocional na década 90), sendo tema da revista Você S/A, agora de Agosto.

É habilidade de mobilizar pessoas em prol de um objetivo. É quando conseguimos vincular pessoas aos nossos sonhos, fazendo-as comprá-los, como se fossem delas. É a capacidade de se vincular pessoas sem receios ou medo de fracasso, conectando-se para a formação de fortes redes de apoio e proteção.

Como Melhorar Nossa Resiliência?

Agora que você conhece os fatores inerentes da resiliência, como desenvolvê-la?

Essa é a pergunta que não quer calar. Desde da infância nós atribuímos significados sólidos as nossas “verdades”. Esses significados são influenciados por nossas experiências de vida e com as pessoas que convivemos, como também pelas religiões, cultura, preconceitos e diferenças sociais.

Seu objetivo como coach é ajudar ao máximo o seu cliente a enxergar, perceber, entender e se necessário, ressignificar suas crenças, para que ele torne-se uma pessoa mais resiliente; para isso, a escuta ativa é A CHAVE para mapear as crenças. Por exemplo, se o seu cliente diz durante as conversas que não é capaz de executar certas ações, talvez por não acreditar em si mesmo, de onde isso vem? Claramente isso afetará sua resiliência e será muito difícil trabalhar sobre pressão quando for pedido algo dele.

De acordo com a SOBRARE, a história de vida, as relações de afeto e as pessoas significativas com quem convivemos no decorrer da vida, são alguns fatores que contribuem para o desenvolvimento de competências para lidar de modo adequado com as situações de adversidades, com os conflitos que surgem ao longo da vida. São fatores que contribuem para o desenvolvimento de crenças que determinam o estar hábeis e maduros ou inábeis e imaturos para enxergar e enfrentar as adversidades da vida, buscando o crescimento pessoal, o amadurecimento e o fortalecimento, que permitem o estar resiliente em diferentes áreas da vida.

Melhore sua Resiliência com essas três perguntas:

  • Quais são seus objetivos?
  • O que você tem feito para alcançá-los?
  • Que pensamos e competências você tem ao pensar nesse objetivo?
  • O que hoje te limita a alcançar esse sonho-objetivo? O que você acredita, a seu respeito?

Esse questionário e as respostas que obtivermos nos ajudará no levantamento inicial de crenças. O ponto mais importante é entender o que limita para ressignificar!

Conclusão

Saber que a resiliência pode ser desdobrada em 6 grandes áreas nos dá um panorama da mesma, nos ajudando a trabalhar as crenças de nossos clientes, assim como as nossas.

A intensidade que damos aos significados de nossas crenças afeta diretamente o nosso comportamento e nossas reações às adversidades da vida, nos fazendo agir com maior ou menor maturidade. Quanto maior a clareza que a pessoa possui sobre suas crenças, maior será sua capacidade em manter-se resiliente.

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