Empreendedorismo Feminino – Um caminho para a Liberdade

A palavra Empreender derivou do termo francês Entrepreneur, que significa “aquele que incentiva as brigas”, e se analisarmos dessa forma, empreender nada mais é do que vencer  muitas batalhas diariamente. As batalhas que se trava consigo mesmo e as batalhas com a concorrência, o mercado, os fornecedores.

Amabilidade, generosidade e empatia com o próximo são características comumente atribuídas a nós mulheres. Quando imaginamos uma empreendedora de sucesso, automaticamente lembramos de características como: ousadia, ambição, objetividade e racionalidade, aspectos que não são tão incentivados no universo feminino. Será que esses estigmas e pré-conceitos acabam por dificultar o empreendedorismo feminino? Creio que muitas vezes, até mesmo inconscientemente esses rótulos acabam por nos limitar e podam nossas asas para vôos muito mais altos.

Muitas vezes nossos próprios modelos mentais, padrões de comportamentos e crenças acabam por limitar nosso sucesso. Se desejamos estar no topo, primeiramente temos que acreditar que temos as características necessárias para estar lá. Você não será contratado para um cargo se não se achar competente o suficiente para assumi-lo.

Ruth Chang, professora de filosofia na Rutgers University, em sua palestra no TED “Como fazer escolhas difíceis” diz que algumas opções de escolha são impossíveis de serem comparadas racionalmente, como mudar de trabalho, sair de um relacionamento, começar um novo empreendimento, etc.  Se considerarmos todas as alternativas que existem, todas possuem vantagens e desvantagens, já que envolvem valores.

Os valores são únicos para cada ser humano. No dia a dia fazemos escolhas fáceis, como por exemplo café com açúcar ou sem, e as influências para essas decisões são externas. Porém nas escolhas difíceis precisamos considerar e refletir sobre nossos valores.

Se nós não exercemos o nosso poder de tomar decisões difíceis, passamos o poder de escrever a nossa própria história para terceiros, deixando o nosso protagonismo e a nossa essência de lado.

Para nós mulheres o empreendedorismo é uma dessas tomadas de decisões difíceis e, quando optamos por ele assumimos riscos, porém investimos nas nossas próprias ideias, arriscamos e tomando as rédeas das nossas próprias vidas.

De uma certa forma, conseguindo também um pouco de flexibilidade para sermos mães, esposas e cumprir todos os nossos outros muitos papéis na sociedade.

Nós não estamos apenas criando uma nova rota para ganhar dinheiro com mais flexibilidade, também estamos ajudando nosso país ou quem sabe o mundo a quebrar uma cultura muito forte que vai completamente na contra mão do empreendedorismo e da inovação. Não somos ensinadas na escola a empreender, assumir riscos e sermos protagonistas.

Somos consequência de uma geração que aprendeu que a garantia, a estabilidade, a segurança, a realização e a prosperidade financeira estava dentro das empresas privadas. E agora vivemos um tempo onde estamos deixando para trás a “síndrome da carteira assinada” para sermos as líderes e protagonistas da nossa própria história.

A única garantia que nós empreendedoras temos somos NÓS MESMAS!

A vitória está reservada para aqueles que estão dispostos a pagar o preço.

Sun Tzu

De acordo com pesquisas recentes do SEBRAE, no Brasil, existem mais de 7 milhões de mulheres à frente de negócios no país, isso é fantástico, tanto para a economia quanto para o famoso empoderamento. As mulheres possuem algumas características únicas que as diferenciam, potencializam e nos colocam muitas vezes frente à gestão de grandes organizações e dentro dos nossos negócios somos o olhar diferente que faltava.

Eu acredito que nem todas as mulheres desejam ser empreendedoras e respeito essa escolha, está tudo bem e não é por conta disso que a mulher que não é empreendedora não será líder de sua vida. É lógico que existem empregos maravilhosos onde você se sente parte do todo, é respeitada, sua criatividade é incentivada e o ambiente de trabalho é fantástico, eu mesma trabalhei em grandes corporações, multinacionais e de verdade, durante muitos anos isso me bastou. Eu encontrava minha realização e meu protagonismo nas viagens de negócio, nos jantares com a alta gestão, nas apresentações de resultados para grandes plateias. Porém, em determinado momento, eu percebi que eu precisava criar além do que as regras das corporações me permitiam.

Dentro do meu próprio negócio não há limites para criar, testar, inventar e se não der certo, mudar a rota e tentar de novo.

Liberdade do Empreendedorismo

O empreendedorismo nos permite a liberdade para irmos além das nossas obrigações, ultrapassarmos nossos limites, usarmos nossa criatividade para resolvermos os mais inusitados problemas.

Criatividade que nos abre o caminho para novas aventuras e descobertas pessoais e profissionais que, pode apostar, nos trazem mais satisfação na vida. Cada pequena conquista é mais que uma imensa vitória, é uma vontade imensa de gritar para o mundo: FUI EU QUE FIZ!

E é claro que isso vem junto com uma série de novas implicações; trabalhar muito mais, assumir mais um, dois, três ou cinco papéis dentro da sociedade e da nossa família, equilibrar a vida profissional e os novos desafios, administrar os recursos financeiros que muitas vezes são limitados e imprevisíveis, administrar e otimizar o tempo.

Quando se é empreendedora, a vida nunca é monótona, mas sim cheia de imprevistos e desafios que dia a dia nos fazem desenvolver mais outras muitas habilidades que nós sequer sonhávamos que existiam dentro da gente.

Empreender vai muito além de pensamento positivo.

Eu resumiria que empreender é administrar: administrar as ideias, os anseios e os novos papéis, e talvez essa seja a missão mais difícil.

Empreendedorismo feminino e o sucesso

Para empreender com sucesso é necessário ter uma visão sistêmica, a visão do todo, e nós mulheres saímos na frente nesse aspecto, já que desde muito cedo somos incentivadas a desenvolvermos muitas habilidades. O perfil feminino já é exitoso por sua própria natureza, trazendo características que podem ser grandes diferenciais para o negócio, como por exemplo desenvolver muitas tarefas simultaneamente.

Descobrir qual é a sua meta para o negócio, mirar nessa meta e ir trabalhando estratégias para alcançar seus resultados, parece simples. Porém, muitas vezes é nesse começo que nos perdemos. Para isso temos o Coaching auxiliando e sendo uma ferramenta maravilhosa para nós mulheres empreendedoras.

Uma vez mais lembro da importância do autoconhecimento, me autoconhecer para conhecer meu negócio, meus clientes, minhas vulnerabilidades. Os desejos e nossas metas são o caminho para esse mundão de possibilidades, nossos desejos refletem nossa essência, nossos ideais e por consequência encontramos a nossa REALIZAÇÃO.

Quem sou eu de verdade e o que eu vim fazer aqui?

Eu sei onde quero chegar? Como eu quero ser conhecida? Qual o legado que eu quero deixar?

Não se trata de uma guerra de sexos, ou de dizer que as mulheres são melhores ou piores que os homens, creio que o empreendedorismo feminino tem muito ainda que ser discutido, até mesmo para que nós mulheres possamos desconstruir crenças e barreiras encontrando o nosso caminho para a liberdade criativa e o controle de nossas vidas.